aos que se põem a caminho

que vos guie o Amor...



eu amo-vos muito.


"O Senhor te abençoe e te guarde;
o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
o Senhor levante sobre ti o seu olhar, e te dê a paz. "




o meu canto...

"era por volta do ano da graça de mil novecentos e noventa e um..."
desenterradas de algum baú, cá estão as (in)glórias de outrora...



espero que tenhas dado umas gargalhadas.
eu dei...

o meu avô

"deixai-me dormir. minha alma está embriagada de amor.
deixai-me descansar. minha alma está saturada de dias e noites.
acendei as velas e os incensórios em volta da minha cama, e espalhai sobre meu corpo pétalas de rosas e de jasmins; e perfumai meu cabelo com almíscar; e despejai essências odoríferas sobre meus pés. depois, olhai e lede o que a mão da morte houver escrito sobre minha fronte.
deixai-me mergulhado nos braços do sono. minhas pálpebras estão cansadas da luz.
tocai a lira e deixai as ondas de suas notas metálicas acariciar meu ouvido.
soprai as flautas e os pífaros, e tecei com suas melodias um véu em volta de meu coração impaciente por parar.
cantai canções suaves e estendei os pensamentos mágicos como um leito para minhas emoções; depois, procurai a luz da esperança nos meus olhos.
secai vossas lágrimas, ó companheiros. e erguei vossas cabeças como as flores levantam seus cálices à chegada da aurora. e vede a deusa da morte em pé como uma coluna de luz entre meu leito e o espaço. retei vossa respiração e escutai comigo o roçar de suas asa brancas...
evaporou-se a música das ondas do mar, e no trigal apagou-se a melodia dos arroios, e silenciaram as vozes das aglomerações humanas.
agora, ouço somente a canção da imortalidade, que se harmoniza com as inclinações da alma...
não perturbeis o repouso do éter com adjurações e rituais. mas deixai vossos corações regozijarem-se comigo e glorificarem a sobrevivência e a eternidade.
não useis luto por mim em sinal de tristeza, mas vesti o branco e alegrai-vos.
e não faleis com lamentos da minha partida, mas fechai os olhos e me vereis convosco agora, amanhã e sempre...
envolvei-me em terra fina e, junto com cada punhado, depositai sementes de açucena, de rosas e de jasmins. e elas germinarão e absorverão os elementos do meu corpo, e ao crescer espalharão aos quatro ventos o perfume do meu coração, e levarão ao sol os segredos de minha alma e dançarão com a brisa, e vagarão no vento para reconfortar o caminheiro.
deixai-me agora, ó filhos da minha mãe. deixai-me só e caminhai com passos mudos, como caminha a quietude nos vales desertos.
deixai-me com deus e espalhai-vos, calmamente, como o sopro de abril espalha as flores das amendoeiras e das macieiras.
voltai a vossas casas, e lá encontrareis o que a morte não pode levar nem de mim nem de vós.
deixai este lugar. o que procurais já está longe, longe deste mundo..."

Khalil Gibran, em Uma Lágrima e Um Sorriso

António Luis Mandim, o Sr. Mandim, o meu Avô Mandim, faleceu hoje.

em perigos e guerras esforçados



faz hoje, 8 de janeiro de 2007, onze anos que me apresentei para o serviço militar obrigatório no batalhão de adidos, em sacavém.

mea culpa

faz hoje uma semana que o meu avô foi internado no hospital. soubemos hoje que a médica que estava a tratá-lo (de uma insuficiência renal), não sabia que o motivo do internamento tinha sido insuficiência respiratória, nem que ele tem problemas numa perna. mais ou menos por essa altura soubemos que pela segunda vez lhe foi feito uma radiografia à perna direita quando o problema é na perna esquerda. ela desculpou-se e atirou a culpa para os colegas e para o sistema.

acho honestamente que a culpa não é dela.
ela não tem culpa que não seja o pai dela, ou o avô dela ou o filho dela deitado naquela cama.
ela não tem culpa que também haja médicos incompetentes.
ela não tem culpa de nunca ter tido a necessidade de recorrer anonimamente a uma unidade de saúde, para ser deixada à espera cinco, seis, oito horas.
eu, sim, tenho culpa porque "para não me chatear", não apresento queixa da incompetência e imbecilidade de alguns profissionais (da saúde ou outros).

eu sei que maus profissionais há-os em todo o lado. mas se eu perco a capacidade de o dizer, e de o dizer em voz alta, então aí sim, a culpa é minha. e se não me é dada a hipótese de colocar a minha vida em mãos competentes, num país livre, a culpa é totalmente minha que sou conivente.