Martin Luther King day.

for all the "negros" of the world, no matter which colour are they, i still have a dream.
and now is the time: 
let freedom ring!

tem-me desassossegado

a falta de liberdade. talvez porque sinta a minha (liberdade) como um dado adquirido. ou apenas porque, por estes dias, me tenho sentido muito consciente da minha e da percepção que nada me prende a não ser por inércia minha de me deixar ser preso.

tem-me desassossegado uma pergunta que fiz ontem a algumas pessoas que tiveram paciência para me ouvir: e tu? em que deus acreditas? desassossega-me que as repostas que encontram sejam tão simples que por momentos me parecem pueris.

eu acredito num deus amor.
eu acredito num deus liberdade. num deus que me liberta e me eleva libertando.
que eu não compreendo, mas que me deixa aproximar dele e se entrega a mim, livre, libertando-me.

não acredito num deus mesquinho, pequeno e apoucado, e desassossega-me que se olhe para ele desse modo.

estou um pouco à nora.

não é que esteja a tirar água, mas apenas sinto-me um pouco a andar às voltas.
sábado vou dinamizar (?) um workshop sobre música na liturgia, a pedido do secretariado diocesano da juventude do porto. já não tenho traquejo de preparar estas coisas. sei exactamente a estrutura que quero seguir, sei de onde quero partir e onde quero chegar no meu trabalho, mas está a custar-me bastante colocar as minhas ideias no papel. planificar e dar aulas traquejava muito neste aspecto. ganhava-se calo. daí que estava a olhar para uma apresentação em branco, a decidir o que escrever, e sem vontadinha nenhuma.
eu até aceito que se ache que a lareira acesa, o chá de camomila e o biscoito de limão não ajudam, mas para mim a culpa é mais dos dias arrasadores de trabalho que tenho tido.
bom, claro que à luz da minha "nova" postura resolvi parar o que estava a fazer, ouvir o morirur (hilliard ensemble) e escrever este post...
procrastinarei eu, procrastinarás tu, procrastinaremos nós... ou, pelo menos, eu procrastinarei de certeza...
pode dizer-se que há algo de bizarro em começar o ano com o manifesto de uma empresa de t-shirts (et al), mas há algo de profundamente curioso - quase poético - nesta empresa, já que ela surge apenas como consequência prática do manifesto, ou, dito de outra forma, primeiro aparece a filosofia (que para os fundadores é de vida) e só depois a própria empresa o que além de curioso, me parece a (única) forma de fazer "as coisas", que é como quem diz "a vida": projectar (ou pensar) para construir com firmeza.

embora sempre tenha feito parte de mim a necessidade de pensar/repensar a minha vida, ou melhor ainda, de repensar-me, nunca o fiz  por esta altura, talvez por nenhuma outra razão que a não a de ser uma altura de excesso de trabalho. faço-o ao longo do ano, começando por contar as minhas bençãos, e só depois por tentar perceber o que preciso de mudar.
este tem sido um kairós, um tempo favorável, em que percebi - ou simplesmente sistematizei/assumi - que esta minha mania de me repensar era, por si só, uma benção, por muito alienada que seja.

e eis que surge assim o manifesto, de permeio numa crise - que entre muitas outras coisas é também de fé (ou talvez essencialmente de fé - assunto que deixo para desenvolver noutro dia). e, porque a crise, na sua origem, é crescimento, esta, teve já algumas manifestas consequências: retomei, começando do zero, o estudo do piano (com a infindável paciência do francisco), passei o meu aniversário com amigos muito queridos, iniciei o ano com amigos muito queridos, e pelo meio ainda jantei com os meus afilhados, amigos muito queridos. partilhei várias vezes a mesa com a cris e o joão, amigos muito queridos, e redescobri a (minha) presença junto de outros amigos que andava a negligenciar. bons augúrios, muito bons augúrios...
aproveitei o dia 2 e já contei os fins de semana que vou viajar e até ao fim da semana tê-los-ei marcados na minha lindíssima agenda-moleskine vermelha. até ao fim do mês decido os locais e marco as viagens.
abandonei o facebook, como o marco simbólico para mim próprio, de deixar que a minha vida seja essencialmente virtual e passe a fundamentalmente real. honestamente não ia lá mais do que uma ou duas vezes por semana, mas precisava deste símbolo, desde que, em resposta à afirmação "afinal estás vivo!" de um amigo (virtual), tive de lhe explicar que lá porque não aparecia no facebook não significava que não estava vivo, talvez até muito pelo contrário.
espero grandes coisas. não de 2011, porque isso parece-me néscio e tonto. mas de mim. de mim e da forma como construo o meu projecto de felicidade sobre rocha, abraçando a tempestade e a bonança.
espero grandes coisas...