participei hoje, a pedido do meu amigo antónio mário, numa palestra dada por ele publicitada com o título "a música e as palavras", na escola secundária de rio tinto, mas à qual ele preferiu chamar "concerto comentado".
éramos quatro: a fátima (soprano), a xana (contralto), o antónio mário (tenor + painista) e eu (baixo) e cantamos repertório variado, desde madrigais a esprituais negros.
os alunos estavam lá em período de aulas, e, talvez apenas por isso, o auditório estava cheio. as primeiras reacções quando começamos a cantar, foram, como se esperava, de surpresa e riso. o antónio mário referiu logo que imaginava que para uma boa percentagem deles esta tivesse sido a primeira vez que ouviram aquele tipo de música.
mas o mais interessante é que, à medida que iamos cantando, não só foram serenando, como iamos percebendo pelas caras deles que até estavam a achar interessante. além disso, vários deles nos abordaram no fim a dizer mesmo isso.
sei que a música "clássica" é um bicho de sete cabeças para muitos adolescentes. não foi criado o hábito de a ouvir, de a entender ou simplesmente de a deixar entrar dentro de nós. senti-me muito feliz por ter ajudado um pequeno grupo de pessoas a deixar de pensar que ela possa ser um "bicho papão"...
as coisas cá de casa
desenvolvi uma relação curiosa com a D. Cândida, a Senhora que faz a limpeza cá em casa.
chega às oito da manhã, e quando me encontra é sempre de fugida. raramente conversamos, porque ainda fico encabulado por pensar que ela mexe em todas as minhas coisas.
regresso, tarde na noite, com a D. Cândida ida há já muitas horas, a uma casa impecavelmente limpa e cuidada.
forçou-me, no entanto, a criar alguns rituais para esses dias:
mal entro, coloco o Cristo deitado (tenho um Cristo lindíssimo que a minha mãe me trouxe da Polónia, e acredito que ela pense que se nosso senhor não estiver a ver as vistas fica triste).
depois, procuro o carregador do telemóvel (que todas as vezes tem um sitio novo. Há, aliás, algures cá em casa, um carregador que ainda não consegui encontrar).
finalmente, o último ritual, é o de encontrar e encher uma garrafa de vidro com água que deixo sempre no quarto em cima da mesinha de cabeceira, debaixo de um pequeno pano de linho que a minha mãe me ofereceu. ao chegar ao quarto, tiro o candeeiro - que a D. Cândida acha que deve ficar em cima do pano e milimetricamente centrado na mesinha - arrumo-o para o lado e ponho a garrafa no pano. (claro que eu acho excelente que ela lave a garrafa. o que ainda não entendi é porque não a recoloca no quarto, mas a guarda religiosamente num qualquer (e quase sempre diferente) armário na cozinha.)
hoje, como sempre, entrei... e o cristo estava deitado!
fico receio que isto seja alguma forma de chantagem psicológica. que ela esteja apenas a tentar que eu me desabitue de o colocar deitado...
talvez para a próxima lhe troque eu as voltas, e ponha o Cristo de pé ou mesmo a garrafa na cozinha, escondida num qualquer armário...
ela vai ver...
chega às oito da manhã, e quando me encontra é sempre de fugida. raramente conversamos, porque ainda fico encabulado por pensar que ela mexe em todas as minhas coisas.
regresso, tarde na noite, com a D. Cândida ida há já muitas horas, a uma casa impecavelmente limpa e cuidada.
forçou-me, no entanto, a criar alguns rituais para esses dias:
mal entro, coloco o Cristo deitado (tenho um Cristo lindíssimo que a minha mãe me trouxe da Polónia, e acredito que ela pense que se nosso senhor não estiver a ver as vistas fica triste).
depois, procuro o carregador do telemóvel (que todas as vezes tem um sitio novo. Há, aliás, algures cá em casa, um carregador que ainda não consegui encontrar).
finalmente, o último ritual, é o de encontrar e encher uma garrafa de vidro com água que deixo sempre no quarto em cima da mesinha de cabeceira, debaixo de um pequeno pano de linho que a minha mãe me ofereceu. ao chegar ao quarto, tiro o candeeiro - que a D. Cândida acha que deve ficar em cima do pano e milimetricamente centrado na mesinha - arrumo-o para o lado e ponho a garrafa no pano. (claro que eu acho excelente que ela lave a garrafa. o que ainda não entendi é porque não a recoloca no quarto, mas a guarda religiosamente num qualquer (e quase sempre diferente) armário na cozinha.)
hoje, como sempre, entrei... e o cristo estava deitado!
fico receio que isto seja alguma forma de chantagem psicológica. que ela esteja apenas a tentar que eu me desabitue de o colocar deitado...
talvez para a próxima lhe troque eu as voltas, e ponha o Cristo de pé ou mesmo a garrafa na cozinha, escondida num qualquer armário...
ela vai ver...
the bucket list
"when he died, his eyes were closed and his heart was open"
dizia há dias que me andava pela cabeça a frase "and when i die" como começo de alguma coisa. parece-me que alguém me descobriu um bom ponto de partida...
[carter chambers in The Bucket List]
dizia há dias que me andava pela cabeça a frase "and when i die" como começo de alguma coisa. parece-me que alguém me descobriu um bom ponto de partida...
dias de frio
tenho andado num corre-corre. esta semana dei dois mini-concertos de apresentação com o Coro de Câmara Pedro do Porto, projecto que integrei desde a origem (há muito pouco tempo para dizer a verdade), e que recuperou em mim a esperança de ser possível fazer um bom trabalho em coro de câmara. Para estar na minha melhor forma retomei as aulas de canto, e foi fabuloso perceber que o tempo sem cantar ou a cantar "despreocupadamente" não só não deixou marcas, como me fez largar alguns vícios. (vocais, entenda-se! todos os outros continuam tão arreigados como sempre estiveram...).
apontam-se caminhos novos, ao ver a chegar ao fim caminhos antigos.
definitivamente vou regressar aos estudos para o ano. ainda estou um pouco indeciso relativamente ao que irei estudar, mas será numa área totalmente diferente daquela em que trabalho.
assusta-me a ideia de um horizonte limitado e apraz-me o encantamento de poder apontar para um horizonte que me estende os braços bem abertos e me impulsiona a voar cada vez mais, cada vez mais alto, cada vez melhor...

esta semana ri-me muito com o ken lee. não sei muito bem quem ele é, mas como ela o refere com tanto encanto, não descarto a hipótese de ir até à bulgária conhecê-lo...
apontam-se caminhos novos, ao ver a chegar ao fim caminhos antigos.
definitivamente vou regressar aos estudos para o ano. ainda estou um pouco indeciso relativamente ao que irei estudar, mas será numa área totalmente diferente daquela em que trabalho.
assusta-me a ideia de um horizonte limitado e apraz-me o encantamento de poder apontar para um horizonte que me estende os braços bem abertos e me impulsiona a voar cada vez mais, cada vez mais alto, cada vez melhor...

esta semana ri-me muito com o ken lee. não sei muito bem quem ele é, mas como ela o refere com tanto encanto, não descarto a hipótese de ir até à bulgária conhecê-lo...
mahna mahna
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