empty trash

pela primeira vez em três semanas, saio da empresa com a secretária limpa. todos os meus trabalhos estão despachados. foram fins de semana a trabalhar, e esta semana a sair todos os dias às 20:30, mas consegui.
sei que quando cá voltar amanhã, também terá voltado o caos, mas não importa. importa o hoje. e hoje está tudo feito.

por estes dias

por estes dias aconteceram-me muitas coisas boas:
pude ouvir em concerto os tallis scholars, dirigidos por peter phillips;
recebi o meu exemplar do livro dos sigur.ros, com o nº 3558;
a minha avó celebrou 83 anos. nesse mesmo dia, a minha mãe "desenterrou" o meu álbum de criança, e reencontrei-me bébé.

aconteceram também muitas coisas complicadas esta semana. complicadas ao ponto de (e talvez também de um cansaço excessivo) me fazerem questionar todo o meu futuro.

dei por mim a reler algo que uma amiga me enviou vindo do blog do zé rui:

"Não deixes o cansaço instalar-se
em vez disso
silenciosamente
como a um pássaro
estende a mão ao milagre"

estou a tentar, sara. a sério... mas não está a ser fácil.
não por estes dias...

"vemo-nos em Sião"

conheci a Becas por volta de 1991. eu tinha 17 e ela 27. chamava-lhe Maria de Lourdes - o seu nome - apenas porque me disse que ninguém o fazia. cantou comigo durante uns anos, e partilhamos muita música durante muitos mais. lembro-me da primeira vez que me abriu a porta de casa dela, e nos sentamos à sua mesa. a Becas era, entre muitas outras coisas uma cozinheira exímia. Era, acima de tudo, uma Mulher com todos os atributos que as mulheres a sério sabem ter e sabem Ser. lembro-me de pensar muitas vezes que ela podia voar muito alto se não estivesse presa a um marido que nós mais próximos notávamos que não amava, e à sombra de um pai que, embora há muito falecido, ela admirava mesmo sentindo que a cerceou. de uma generosidade imensa, e uma frontalidade maior, ajudou-me a crescer, com outros amigos que, também mais velhos, eu sei terem sido fundamentais no meu caminho. e caminhei muito perto dela quando se libertou do marido e pode ser tudo o que era, com as dificuldades inerentes de ser mãe-família uniparental.
a Becas está hoje em morte cerebral, resultado do AVC que teve na quarta feira, aos 45 anos.
estou sem palavras.
espero reencontrá-las quando a reencontrar em Sião...

hoje

bolas. estou exausto. entrei no colégio às 8 e saí às 20:15, quando terminaram as reuniões.
foi um dia desgastante, prenúncio de um tempo de deserto que receio que se aproxime.
soube, na hora de almoço, que uma Amiga de outros caminhos, apenas 10 anos mais velha que eu, teve um AVC e está no hospital a lutar pela vida.
além disso, senti que desiludi um Amigo que amo muito...

acho que vou ter que voltar a ouvir o tomorrow da annie...